Estereótipo da imigrante brasileira em Portugal

Portugal, na atualidade, apresenta-se como país receptor de migrantes em busca de condições de trabalho e vida melhores, especialmente vindos da África e América do Sul.

Outrora o país lusitano enviava a essas regiões, então colônias, emigrantes, mas desde 1970 o movimento migratório apresentou-se inverso, tendência acentuada com o seu ingresso na Comunidade Econômica Europeia (CEE).

Destaca-se, nessa tendência, a imigração da mulher brasileira.  Pesquisa do Centro de Estudos Sociais de Coimbra em 2010 (Universo, 2010. P. 1), constatou que, na altura, a imigração brasileira era 57% feminina, proveniente da Região Sul e Sudeste, sendo que desse percentual, 50% tinha grau de escolaridade médio e 20%, grau de escolaridade superior.

Entretanto, viviam em Portugal em condições precárias, temporárias e ilegais, o que as empurrava para a prostituição, em muitos casos.

Tal situação das imigrantes brasileiras contribuiu para o estereótipo da mulher brasileira em Portugal como “sensual”, “à vontade”, plena de “calor humano”, e então sua presença em Portugal foi associada à intenção de se prostituir e “arrumar marido português”.

Atualmente, essa concepção da mulher brasileira tem mudado em Portugal, mas fica claro que a ilegalidade é fator que pode perpetuar esse estereótipo e alimentar a xenofobia, impedindo que o povo português conheça o modo de viver da brasileira imigrante, que quer ser respeitada e ver suas intenções de estudo e trabalho reconhecidas, o que não impede, obviamente, que haja relações afetivas entre portugueses e brasileiras.

Segundo Jéssica de Cássia Rossi (A Constituição da Mulher Imigrante Brasileira em Portugal: a atuação de entidades que defendem o direito de migrantes. Seminário Internacional Fazendo Gênero 10. Florianópolis, 2013), esse estereótipo negativo da brasileira vivendo em Portugal foi também construído a partir das propagandas da Embratur para estimular o turismo, por algumas novelas brasileiras e pelo tratamento dado pela mídia, sempre a qualificarem a brasileira tão somente de “sensual”.

Em conclusão, a legalidade coloca-se como condição para a construção de outra identidade da brasileira vivendo em Portugal.

Fonte: Rossi, Jéssica de Cássia. A Constituição da Mulher Imigrante Brasileira em Portugal: a atuação de entidades que defendem o direito de migrantes. Seminário Internacional Fazendo Gênero 10. Florianópolis, 2013

Foto: Rui Silvestre – Unplash

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